Escritórios criam comitês de crise para orientar clientes

Gazeta Mercantil - Direito Corporativo, Quinta-feira, 16 de Abril de 2009.

Publicado em 30 de março de 2009.

Várias áreas do direito se integram em busca de alternativas para atual cenário econômico

Fernanda Bompan - São Paulo

 

Os escritórios de advocacia estão criando comitês ou equipes direcionadas a resolver problemas de clientes impactados pela crise financeira. A crescente demanda por áreas como trabalhista, tributária e contenciosa nas bancas está provocando uma reestruturação de departamentos. Alguns especialistas trabalham exclusivamente para orientar clientes diante do atual cenário econômico. O Trench, Rossi e Watanabe Advogados, por exemplo, criou um comitê de crise, que reúne diversas áreas para atender clientes com este perfil.

 

De acordo com Marcio de Souza Polto, sócio da banca, desde outubro do ano passado, consultas ligadas à recuperação judicial aumentaram 300% e as demais áreas, tais como trabalhista e de litígios, entre 30% e 40%. “Muitos clientes nos procuram por orientações, mas não sabem a extensão do seu problema, já que em momento de crise são várias as áreas afetadas. Com o comitê, a integração é absoluta”, explica o advogado. A equipe é formada por cinco sócios de reestruturação financeira, imobiliário, compliance e litígios, exclusivos para casos oriundos da crise.

 

“Além dessa integração, cada especialista foi treinado para ter noções econômicas”, afirma a economista Claudia Metzger, diretora-geral do escritório. Ela ressalta que o fato do Trench, Rossi e Watanabe ter parceria com o Baker & McKenzie auxiliou no sucesso do comitê. “Os especialistas possuem experiência com o mercado estrangeiro”, diz.

 

A necessidade

 

Como o Trench, o Rayes, Fagundes e Oliveira Advogados também sentiu necessidade de criar uma equipe especial para atender a demanda da crise. O grupo, formado por três sócios, coordena áreas que visam principalmente as reestruturações de empresas. “É uma oportunidade tanto para os clientes, quanto para o escritório, pois deixou de ser nosso trabalho de esporádico para frequente”, analisa João Paulo Fagundes, sócio da banca. Segundo o advogado, o trabalho da equipe cresceu tanto que estão contratando mais seis especialistas para as áreas trabalhista, tributária e contenciosa.

 

Um grupo de crise, com quatro sócios, também foi criado pelo escritório Ulisses Sousa Advogados Associados. “Os clientes que tinham problemas pontuais agora têm problemas de diversas áreas e procuram escritórios que trabalhem integralmente”, comenta Ulisses César Martins de Souza, sócio da banca. “De outubro para cá, desde que criamos a equipe, subiu para 32% nossa carteira de clientes a procura de orientações”, acrescenta.

 

Preparo

 

Ulisses César Martins de Souza explica que no Maranhão, por exemplo, - onde está a sede da banca - diminuiu muito a produtividade das empresas e muitos contratos, principalmente de mão-de-obra, foram rompidos. “Como as decisões são onerosas, isto acaba refletindo nos escritórios. Tem que estar preparado para atender esta demanda”, analisa o advogado.

 

Da mesma forma pensa Paulo Rocha, sócio do Demarest e Almeida Advogados. “Houve um crescimento por consultas nas áreas de recuperação judicial e renegociação de contratos financeiros”, afirma. No entanto, diferentemente dos demais, o escritório não teve a necessidade de criar um grupo específico para crise, pois, segundo o especialista, sempre tiveram esta preocupação multidisciplinada. “Temos oito advogados que estão direcionados para atividades ligadas à crise, mas não estão exclusivos a elas”, justifica o advogado.

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